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EMBALAGENS PLÁSTICAS AVANÇAM

A produção física da indústria de embalagem plástica cresceu 0,59%, em 2008, em relação ao ano anterior. Esse segmento e o das embalagens de papel – com aumento de 2,06% – foram os únicos setores com índices positivos. No geral, o mercado nacional de embalagens teve queda de 0,61% e gerou receita de R$ 36,6 bilhões, em 2008. Esses são os resultados de estudo macroeconômico, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgado por Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da mesma instituição.

No caso das embalagens de plástico,em 2008, os sacos e as sacolas representaram o segmento com maior declínio na produção. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve variação negativa de 10,98%. As perdas maiores se deram no primeiro e no quarto semestres do ano passado. Outra categoria de produtos que contribuiu para o índice atual foi a dos garrafões, garrafas, frascos e afins, cuja produção ficou 6,32% menor do que em 2007. Por outro lado, para sustentar o índice positivo, o setor das embalagens para alimentos ou bebidas registrou, no período, aumento de 3,38%.

A receita líquida do mercado de embalagens apresentou curva ascendente nos últimos quatro anos. Em 2004, o valor das vendas foi de cerca de R$ 28 milhões ante os mais de R$ 36 milhões de 2008. Desse total, é de praxe o material plástico configurar a fatia de maior expressão. No ano passado, as embalagens plásticas somaram R$ 13.806 milhões, o equivalente a 37,64%. Em seguida, vieram as de papel-cartão e de papelão ondulado, que somaram receita de R$ 10.271 milhões (28% do total). A pesquisa verificou também a existência de 1.776 plantas produtivas de embalagens, com trinta ou mais empregados. Quadros notou que a indústria do plástico está em quase todas as regiões. “Esse setor é o mais disseminado”, observou. No geral, metade da produção de embalagens está concentrada no estado de São Paulo (48,85%).

Como ocorreu em outras áreas da indústria brasileira, no ano passado, houve demissões no mercado de embalagens, apesar de ter começado 2008 com a taxa de emprego em alta, com pico em outubro, quando existiam 202 mil empregos formais no setor. A derrocada se deu dois meses depois, em dezembro, mês que registrou redução líquida de 3.692 postos de trabalho. “Tivemos reflexos da crise mundial, somados ao fato de que em dezembro sempre há uma queda no mundo industrial”, comentou Quadros. Uma característica positiva do mercado de embalagens se refere à sua formalidade. Poucos são os empregos informais. E, nesse quesito, outra vez, o setor do plástico liderou, pois mais de 50% dos empregos formais pertencem ao segmento.

Apesar de a indústria de embalagens plásticas se destacar na geração de postos de trabalho e na produção, ela perde para os produtos metálicos no quesito exportação. O volume de embalagens de plástico exportado foi de pouco mais de US$ 160 mil, enquanto a indústria de metálicos registrou cerca de US$ 251 mil. Mas, como observou Quadros, a receita da indústria plástica no mercado externo avança ano a ano. Em 2008, o crescimento foi de 22,42%. No caso das importações, esse segmento representa quase US$ 300 mil ante o total do mercado (madeira, vidro, metálicas, papel/papelão, ondulado/papel-cartão e plástico), de cerca de US$ 500 mil.

Futuro adverso – O desempenho das indústrias de bens de consumo repercute no das embalagens, de forma direta. No ano passado, a desaceleração do mercado se deu como reflexo da fraca atuação dos setores de alimentos, bebidas, fumo, vestuário e acessórios, calçados e artigos de couro, sabões, sabonete, detergente e produtos de limpeza, e perfumaria e cosméticos. A exceção se deu entre os fármacos – o segmento foi o único com crescimento em 2008, em comparação ao ano anterior.

O estudo constatou desânimo e descontentamento geral dos industriais. Mais da metade do setor enfrenta restrição de demanda. Além disso, a utilização da capacidade instalada também foi baixa, no ano passado. Em janeiro deste ano, o índice registrado chegou a 80,7%. No mesmo mês de referência, de 2008, a indústria operou com 87,2% de sua capacidade.

Segundo estimativa de Quadros, o cenário deve permanecer conturbado, pois está previsto que a produção de embalagens em 2009 siga estagnada, ou seja, sem crescimento. Ele também não descarta a possibilidade de a produção decair 2%. “Essas previsões são iniciais, isso quer dizer que poderemos ter mudanças ao longo do ano”, ressaltou o coordenador. Neste primeiro trimestre, as perspectivas são de queda, e a recuperação só viria a partir do quarto trimestre. Quadros explicou que, no ano passado, na economia brasileira prevaleceu a teoria do descolamento, a qual supõe a autonomia do país em relação às grandes potências, como Japão e Estados Unidos. No entanto, essa teoria tem sido desmentida, pois os números observados pelo estudo comprovaram que o Brasil não está tão imune a essas economias.

Em dezembro de 2008, a produção de embalagens caiu cerca de 10%. No entanto, Quadros disse que não se trata de um bom parâmetro. “O que aconteceu não é o padrão, foi um choque que não tende a se repetir”, comentou. Situação de crise semelhante ocorreu em 2003. O ano em questão estava às voltas com o retorno da inflação e o novo governo, o que freou a economia de forma vertiginosa. “Há mais ou menos seis anos, não se via retração parecida no setor de embalagens”, apontou Quadros. Segundo o coordenador do estudo, hoje, as condições são mais favoráveis, sobretudo porque a inflação diminuiu, há mais empregos formais e o poder de compra do consumidor aumentou.

Na avaliação de Quadros, para sobreviver em meio a essa nebulosidade, um caminho seria o de reduzir os custos de produção. “Como não conseguimos controlar a macroeconomia, vamos olhar para dentro, o micro, e arrumar nossa casa, revendo os processos que vinham sendo feitos, com base na diminuição dos custos”, finalizou.

Renata Pachione

www.plastico.com.br

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